*Conteúdo produzido pela Point e publicado no jornal Folha de S.Paulo em 01/12/2024
Domingo, 01 de dezembro de 2024
Domingo, 01 de dezembro de 2024
O ano de 2024 marca os 150 anos da imigração italiana em nosso país. Essa data relembra a importância dos italianos na construção do Brasil moderno e na formação de uma identidade cultural rica e diversa. Desde a chegada do navio La Sofia ao Porto de Vitória (ES), em 1874, trazendo os primeiros imigrantes italianos, iniciou-se uma história de colaboração e transformação que impactaria profundamente a sociedade brasileira.
Relação comercial entre Brasil e Itália cresce e aquece economia local
Os sabores da Itália conquistaram o Brasil inteiro
Da educação aos esportes, influência italiana realça a cultura brasileira
Inicialmente, vieram pessoas do norte da Itália, em busca de melhores oportunidades de vida, motivados pelas promessas de trabalho e pelas condições econômicas difíceis que o país enfrentava após a sua unificação. O Brasil, por sua vez, via nos italianos uma solução para suprir a mão de obra necessária nas lavouras de café após a abolição da escravatura. Assim, começaram a se espalhar, concentrando-se nas regiões Sudeste e Sul, especialmente em São Paulo e Rio Grande do Sul, onde seus descendentes mantêm viva a herança cultural até hoje.
Uma das maiores contribuições ao desenvolvimento do Brasil, desde o início da imigração, se deu na agricultura. Com mão de obra e conhecimentos agrícolas, os imigrantes ajudaram a expandir a produção de café no interior paulista, impulsionando o país como um dos principais exportadores mundiais do grão. No Sul, eles foram responsáveis pela introdução da vitivinicultura, estabelecendo vinícolas e desenvolvendo a cultura do vinho nas regiões serranas de Santa Catarina e Rio Grande do Sul. Hoje, áreas como a Serra Gaúcha são reconhecidas internacionalmente pela qualidade dos vinhos produzidos, um atributo diretamente vinculado às famílias italianas que se estabeleceram na região.
Tudo isso deixou um legado comercial entre Brasil e Itália, exigindo que esses laços sejam fortificados até hoje. E, para que essa aliança ganhe ainda mais força, os países contam, por exemplo, com a Câmara Italiana de Comércio de São Paulo (ITALCAM), fundada em 1902, e com presença hoje também no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Acre. “Nós apoiamos empresários brasileiros interessados em investir ou fazer negócios na Itália oferecendo diversos serviços, como consultoria de mercado e jurídica, orientando sobre o mercado italiano, legislação, impostos e regulamentações’’, explica Fabio Selam, Diretor Geral da ITALCAM. Por outro lado, a instituição também oferece assessoria aos italianos interessados em desenvolver atividades no Brasil.
Além disso, Selam aponta como a colaboração entre Brasil e Itália permanece pujante no setor agrícola: “a ITALCAM tem apoiado iniciativas que incentivam a troca de tecnologias agrícolas entre os dois países, principalmente em áreas como sustentabilidade e inovação. Essa parceria reforça a herança deixada pelos imigrantes e projeta novos horizontes para o setor”, ressalta.
Os italianos também tiveram papel importante na indústria brasileira. Nomes como o de Francesco Matarazzo são exemplos desse impacto. Primeiro integrante da família Matarazzo a se estabelecer no Brasil, no final do século XIX, construiu um dos maiores complexos industriais da América Latina, contribuindo para o desenvolvimento de diversos setores industriais, como o de alimentos, têxteis e químicos. Outras famílias italianas fundaram pequenas fábricas e comércios, consolidando a presença dos descendentes de italianos no setor empresarial e impulsionando a economia das cidades onde se instalaram.
Fábio Selam enfatiza a continuidade desse legado através das ações da ITALCAM: “hoje, trabalhamos para conectar empresas italianas e brasileiras em setores estratégicos como energia, tecnologia e moda. Essa integração reafirma a importância do intercâmbio econômico que começou com os primeiros imigrantes”, diz.
Com a grande quantidade de italianos e descendentes no Brasil – estimada hoje em cerca de 30 milhões de pessoas –, é impossível ignorar a influência desse grupo na sociedade brasileira. Ela se manifesta de diversas maneiras, especialmente na gastronomia. Na arquitetura, alguns dos bairros históricos de São Paulo, como o Bixiga, são marcados pela estética italiana, que combina características europeias com adaptações ao clima tropical.
Atualmente, São Paulo abriga aproximadamente 5 milhões de descendentes de italianos, sendo a maior concentração de italianos fora da Itália. Essa comunidade é tão grande que o Consulado Italiano em São Paulo registra oficialmente cerca de 364 mil cidadãos italianos.
Nos últimos anos, o número de pedidos de cidadania italiana aumentou consideravelmente, refletindo o interesse crescente dos descendentes em reconectar-se com suas origens. De acordo com dados do Consulado, no primeiro semestre de 2024, houve um aumento de quase 24% nas solicitações de cidadania. Essa procura é impulsionada pela valorização da cidadania europeia, que oferece acesso a benefícios, como o direito de residir e trabalhar em países da União Europeia. Embora o processo seja longo – pode levar até 11 anos –, muitos brasileiros continuam interessados em formalizar a dupla cidadania.
Para ajudar os interessados em processos de cidadania e outros serviços, o Patronato ENASCO, uma entidade de assistência social italiana, desempenha um papel fundamental. Com sede em São Paulo e atuação em várias cidades, o ENASCO oferece orientação e serviços relacionados à cidadania, previdência social e direitos dos italianos no exterior. Em 2024, os atendimentos do patronato aumentaram, acompanhando o crescimento dos pedidos de cidadania.
Segundo Luciana Laspro, representante do ENASCO, “milhões de brasileiros têm direito à cidadania italiana, e já ajudamos milhares de pessoas neste ano a conseguir sua documentação”. Luciana completa explicando que ‘’esse interesse é impulsionado não apenas pelos benefícios legais e econômicos, como o acesso à União Europeia, mas também pelo desejo de reconexão com as raízes.’’
Para atender a essa demanda, o ENASCO realiza atendimentos presenciais e remotos, disponibilizando canais como telefone (11) 3259-1806 (das 8h às 14h nos dias úteis) e e-mail (patronatoenasco@bol.com.br), além de promover eventos informativos e produzir materiais educativos que descomplicam o processo.
Além da cidadania, o ENASCO oferece suporte em segurança social, especialmente para aposentados e trabalhadores italianos e seus familiares. “Ajudamos com a prova de vida e a verificação de pagamentos, garantindo que aposentados recebam seus benefícios com segurança”, destaca Luciana. Celebrar 150 anos da imigração italiana no Brasil é mais do que revisitar o passado; é reconhecer um legado vivo, que pulsa nas tradições, nos sabores, nas inovações e na força de uma parceria que continua a escrever histórias. Esse marco é um convite para olhar para o futuro com a mesma ousadia e espírito de colaboração que os primeiros imigrantes trouxeram consigo. Afinal, essa é uma herança que não se mede, mas se sente, todos os dias.
No ano em que o Brasil celebra 150 anos da imigração italiana, a relação comercial entre os dois países cresceu 13%, movimentando 7,89 bilhões de euros nos primeiros nove meses de 2024.
Os dados, do MDIC (Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), mostram ainda que, apesar de o excedente comercial ter favorecido a Itália em 1,17 bilhão de euros, resultantes da importação brasileira no valor de 4,53 bilhões de euros, as vendas embarcadas para Roma atingiram uma alta de 17,7% no período, já que a capital italiana adquiriu 3,36 bilhões em produtos brasileiros.
A pesquisa “Sobrevivência e Distribuição das Empresas Italianas no Brasil”, realizada em abril de 2024 pela BCCO Contabilidade, amplia a lente para outros setores e formatos de atuação das organizações italianas no país e mostra que os sócios pessoas jurídicas apresentam números volumosos com uma média nacional de R$ 93 milhões e uma mediana de R$ 1,5 milhão.
No setor industrial, por exemplo, as italianas que operam no país, demonstram um índice de êxito de 60% e uma taxa de sucesso de 67%. Neste cenário, apesar de o estado de São Paulo se destacar por ser um destino atraente pela dinâmica econômica e por comportar 555 das 964 empresas associadas a grupos italianos, a pesquisa destaca estados específicos, como Minas Gerais, que tem a maior média de investimento, atingindo R$ 961 milhões. O montante é explicado pela presença do investimento expressivo da Stellantis, conglomerado automotivo detentor da Fiat, que responde por mais de 80% do capital italiano em MG.
A mesma pesquisa mostra que a taxa de sobrevivência das empresas italianas no Brasil nos últimos anos é de 44%, contra 25% das brasileiras. Não é à toa que, em 2023, foram inauguradas 79 novas italianas no Brasil, sendo considerado o número mais alto dos últimos quatro anos.
Para o professor e especialista em contabilidade, e sócio da BCCO Contabilidade, Walther Bottaro, a resiliência das empresas italianas em relação às brasileiras deve-se, em grande medida, à complementaridade entre as economias de ambos os países. “O Brasil é um grande exportador de matérias-primas, mas carece de tecnologia nas áreas industriais. Por sua vez, a Itália possui um conjunto de médias empresas industriais com alto valor tecnológico, que atendem essa necessidade e se diferenciam no mercado brasileiro, especialmente nos setores de máquinas e equipamentos industriais. Precisamente por serem empresas tecnologicamente avançadas, as filiais de indústrias italianas distinguem-se da média das empresas locais por esse aspecto competitivo”, reflete.
Prestes a completar 100 anos de operação no Brasil, a gigante do mercado de seguros Generali Brasil, empresa do Grupo Generali, vem traçando uma história centenária em solo nacional, com marcos que perpassam legados, desafios e resultados que refletem a contínua consolidação nas verticais de Seguros Massificados, Seguros de Vida em Grupo e Grandes Riscos.
Os investimentos estratégicos e contínuos do negócio no país contribuíram, pelo 3° ano consecutivo, para colocar a Generali Brasil como uma das 20 empresas mais inovadoras do país pelo Prêmio Innovative Workplaces, concedido pelo MIT Technology Review.
Andrea Crisanaz, CEO da Generali, conta que a operação brasileira é potencialmente relevante para o Grupo, e é considerada um pilar importante nos planos de expansão da companhia. “Temos o compromisso com a modernização do setor de seguros no Brasil, trazendo inovação em produtos e serviços que atendem às demandas do mercado local. Isso ajuda a promover um desenvolvimento econômico e social por meio de oportunidades, investimentos e geração de empregos no país”, afirma o executivo, que anuncia para 2025 metas pavimentadas em expansão, sustentabilidade e inteligência artificial.
“Queremos ampliar a oferta de produtos e serviços para fortalecer o nosso portfólio e promover iniciativas sustentáveis, assim como investir em inovação com produtos digitais e personalizáveis que sejam acessíveis e fáceis de usar, além de explorar a inteligência artificial com o objetivo de melhorar nossos processos”, afirma.
Responsável por transformar o cenário produtivo de Minas Gerais na década de 1970, a Fiat, conhecida como Stellantis desde 2021 após a fusão entre a Fiat Chrysler Automobiles (FCA) e o Grupo PSA, alargou a economia do estado, atraindo fornecedores, fomentando a demanda multissetorial, impulsionando a atividade de demais setores, como ferro e aço, por exemplo, além de contribuir para a expressiva geração de empregos.
O Polo de Betim, em Minas, que marcou o início das operações da companhia no Brasil, em 1976, já produziu mais de 17,5 milhões de veículos, dos quais mais de 4 milhões foram exportados para 37 países.
Considerado o motor da economia mineira, o complexo emprega 16 mil pessoas, representando mais da metade da força de trabalho da Stellantis na América do Sul, e é responsável pela fabricação de modelos icônicos como Fiat Argo, Mobi, Pulse, Fastback, Fiorino, Strada e Peugeot Partner Rapid, além dos esportivos Pulse Abarth e Fastback Abarth.
“O Brasil é um dos principais mercados globais para a Stellantis, sendo que em 2024 consolidou sua posição como líder do mercado com 29,8% de participação e mais de 597 mil unidades vendidas entre janeiro e outubro”, afirma Emanuele Cappellano, presidente da Stellantis para a América do Sul.
O executivo conta ainda que o Brasil será protagonista no processo de descarbonização da mobilidade, já que a meta da Stellantis é reduzir pela metade as emissões de CO2 até 2030. No início de novembro deste ano, a marca Fiat lançou os dois primeiros produtos que materializam tais esforços: o Fastback e Pulse híbridos-flex. A entrada dos modelos no mercado faz parte de um investimento robusto de R$ 32 bilhões para a América do Sul, e que anuncia mais de 40 novos produtos, 4 plataformas e 8 powertrains entre 2025 e 2030.
“Os investimentos anunciados neste ano terão impacto direto na economia nacional. Vamos impulsionar a criação de empregos e a nacionalização de tecnologias e componentes, além de fortalecer os postos de trabalho em todas as fábricas da Stellantis no Brasil”, diz Cappellano.
Reconhecida mundialmente, a culinária italiana é uma das preferidas entre os brasileiros. Para se ter uma ideia, São Paulo produz 190.000 mil pizzas por dia, segundo a Associação de Pizzarias Unidas de São Paulo (Apubra). São 4.400 estabelecimentos especializados nesse alimento – que foi amplamente difundido pelos italianos mundo afora. Um detalhe: foi no Pari, na região central da cidade, que o rodízio de pizza foi inventado, na década de 1970.
Mas não são somente elas atraem o paladar por aqui: as cantinas tipicamente italianas seguem no radar do público residente e turista. Em geral, passam de geração para geração de famílias de imigrantes italianos, mantendo a tradição, a imagem afetiva das “mammas” e a animação com músicas e danças italianas, como a tarantela.
De Norte a Sul do país, há também restaurantes mais modernos e descolados focados na gastronomia italiana, reinventando receitas e ganhando novos adeptos todos os dias. O Circolo Cucina, em São Paulo, mantém um chef napolitano e pratos e receitas genuinamente italianos como risotto ai funghi, bisteca à milanesa, entre outros que representam a maioria das regiões italianas. Por dia, o restaurante e o Bar The S recebem cerca de 200 pessoas.
Vindos atrás de novas oportunidades, milhares de italianos desembarcaram no Brasil, por volta de 1880 a 1930. Ao chegar aqui, tiveram que adaptar a sua culinária à realidade local. Para isso, misturaram sabores, temperos e ingredientes imprimindo novos paladares ao país. Os molhos de tomate e pesto, aprendidos pelos brasileiros, traduzem bem essa relação.
Outro sinal forte dessa influência é que macarronada, por exemplo, acabou se transformando em um típico prato das famílias brasileiras aos domingos. Assim como o gnocchi, o fettucine e a lasanha, outros pratos entraram de vez para a culinária em todo o território nacional.
Novos costumes também foram incorporados pelos brasileiros. Caso de uma variedade de queijos e embutidos, como o parmesão, a mortadela e o salame. Na panificação, pães como ciabatta e o pão italiano (toscano) passaram a ser bastante consumidos.
Vale lembrar que o panetone – que ganha protagonismo nas festas de fim de ano – também possui origem na Itália. O gelato também vem fazendo muito sucesso no Brasil. Menos gorduroso e menos doce que o sorvete industrializado, usa ingredientes naturais, inserindo ar na receita, o que dá mais leveza e cremosidade.
O legado italiano na vitivinicultura brasileira é imenso, principalmente, na região Sul. As cidades de Bento Gonçalves e Garibaldi, na Serra Gaúcha, recebem anualmente um grande fluxo de turistas interessados em conhecer suas vinícolas, fazer degustações e adquirir produtos.
No estado de São Paulo, a produção da bebida ganha destaque em São Roque – conhecida como Terra do Vinho Paulista – e Jundiaí, que promove tradicionalmente a Festa do Vinho Artesanal. Ambas tiveram a imigração italiana como principal motor no desenvolvimento da sua produção vinícola.
A maneira como nós falamos, comemos, festejamos e praticamos a fé no Brasil não seria a mesma sem a influência italiana. A gigantesca comunidade que elegeu nosso país para viver trouxe inúmeras novidades, amplamente absorvidas pelos brasileiros. É o caso da celebração de santos de devoção italianos, das populares festas italianas como Achiropita e San Gennaro, dos hábitos culinários, do sotaque típico vindo de diferentes regiões da Itália, entre outros. No esporte, Palmeiras (nascido como Palestra Itália em 1914), Cruzeiro e Juventus são outros exemplos da influência italiana no país. Na arquitetura, além de bairros famosos em São Paulo como Mooca e Bixiga, cidades como Antônio Prado (RS), Nova Veneza (GO) e Pedrinhas Paulistas (SP) contam com o charme ítalo-brasileiro e suas tradições.
Na educação, a Itália também faz história por aqui. O Colégio Dante Alighieri, na capital paulista, já formou quase 50 mil alunos desde a sua fundação pela comunidade italiana, em 1911. Por lá, passaram notáveis como o jogador de basquete Marcelinho Huertas, que representou o Brasil nas Olimpíadas de 2024 em Paris, o médico oncologista e fundador do GRAAC, Sérgio Petriili, e o empresário Massimo Bauducco. Todos os estudantes do Fundamental 1 e 2 têm aulas regulares de italiano, além do curso ECCE (abreviatura de eccellenza, que significa excelência) e o High School. Dentro do guarda-chuva ECCE, oferece três modalidades: o CLeCI (curso extracurricular de italiano para alunos do 1º ao 5º ano do Ensino Fundamental 1), o Scuola Media (curso bicurricular dirigido a alunos do 6º ao 8º ano do Ensino Fundamental 2) e o Liceo (curso bicurricular para os alunos do 9º ano do Fundamental 2, 1ª, 2ª e 3ª série do Ensino Médio). Em 2025, o Dante forma a sua primeira turma de Liceo do currículo ECCE, que fará o esame di stato, prova final da escola regular italiana. Com a parità, conquistada em 27 de janeiro de 2023, o Dante irá, então, formar estes alunos já dentro do sistema educacional italiano. “A presença do Liceo Scientifico paritário do Dante (que é o espelhamento do currículo do colégio tal qual o currículo realizado na Itália) traz uma influência cultural italiana significativa para a comunidade local. Professores, cursos, a abordagem de uma escola italiana no processo de ensino-aprendizagem, livros didáticos italianos, a forma de abordar conteúdo e currículo. Tudo isso promove uma diversidade cultural, valorizando a tradição cultural italiana, mas buscando ao mesmo tempo o que chamamos a passo con i tempi, algo como, em tradução não literal, atualizado, ou em dia com os tempos atuais”, diz José Luiz Farina, presidente do Dante.
Desde 2008, o Dante organiza, preserva e disponibiliza para pesquisa documentos do Colégio por meio do seu Centro de Memória. Atualmente, o acervo conta com mais de 22 mil fotografias; mais de 5 mil documentos textuais, objetos dos antigos laboratórios, mobiliário, uniformes, medalhas, cadernos, provas, cadernetas, jornais estudantis (desde 1930). Para visitar ou fazer pesquisa, envie um e-mail para cm@cda.colegiodante.com.br informando o motivo da visita ou pesquisa e agende um horário. Nos 150 anos da imigração italiana no Brasil, o Dante vem promovendo uma série de iniciativas pedagógicas e culturais. Entre elas, um encontro com o Cônsul da Itália em São Paulo, Domenico Fornara, e o patrocínio da reimpressão dos livros A Travessia e Colosso Brasileiro, do autor Ronaldo Costa Couto sobre a família Matarazzo.
Contar a história dos italianos no Brasil sem destacar o Circolo Italiano, localizado no imponente Edifício Itália, no coração de São Paulo, é impossível. A organização representa a comunidade italiana na cidade há mais de 113 anos, promovendo eventos como A Genialidade da Moda Italiana, várias peças de teatro e shows com DNA italiano, cursos de italiano e uma agenda de eventos no Restaurante Circolo Cucina. Para comemorar o marco dos 150 da imigração, o Circolo recebeu a visita do presidente da Itália, Sergio Matarella, ponto alto de sua programação de 2024. “Além disso, recebemos o Festival Italiano de Cinema em nossas instalações, realizamos o 1º ‘Fórum Pontes para o Futuro’, em novembro, que foi uma oportunidade única de revisitar as propostas de aproximação entre o Brasil e a Itália, vindas da sociedade civil ítalo-brasileira. Por fim, criamos o 1º Prêmio de incentivo às cidades paulistas que mais praticarem a sua própria italianidade, e iremos nos tornar um hub de turismo de raiz, uma nova modalidade de turismo para conhecer a Itália”, comemora o presidente José de Lorenzo Messina. Ao longo do ano, o Circolo realiza jantares com a gastronomia italiana e seus vinhos regionais em respeito da comemoração do Dia Nacional de Itália e almoços em homenagem às 23 regiões italianas, toda última sexta-feira do mês. “Mensalmente, fazemos exposições gratuitas em nossa galeria de arte Edmondo Biganti com artistas plásticos ítalo-brasileiros atraindo um público diverso que aprecia a boa arte contemporânea”, conta.
Com 250 alunos matriculados atualmente e mais de 3 mil ex-alunos, o curso de italiano do Circolo, na modalidade online, é um dos maiores do país. “Não é um curso pocket ou de curta duração. Nossa característica é ensinar com graus de evolução para conseguir certificação aceita na Itália nas qualificações profissionais, para quem desejar trabalhar na Itália”, explica Messina. Além disso, o Circolo oferece oportunidades de networking em língua italiana para manter a conversação e desenvolver contatos profissionais. Para os amantes de história, boa parte do acervo do Circolo está digitalizado e pode ser acessado mediante contato com a secretaria. O Centro de Memória da instituição fica na Avenida Ipiranga, 344, 1º e 2º andar, onde os visitantes têm a sensação de entrar na história dos italianos em São Paulo.
*Conteúdo produzido pela Point e publicado no jornal Folha de S.Paulo em 01/12/2024
Projeto e comercialização: Point Comunicação e Marketing
Redação: Karina Landi, Lucas Medeiros
Edição: Leonardo Pessoa
Layout e editoração eletrônica: Manolo Pacheco / Sergio Honorio
Point Comunicação e Marketing. Todos os direitos reservados.
É proibida a reprodução do conteúdo desta página em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização escrita.
Rua Tabapuã, 41 • Cj. 84 • CEP 04533-010 • Tel: 55 (11) 3167-0821