*Conteúdo produzido pela Point e publicado no jornal Folha de S.Paulo em 08/06/2025

Com o radar no futuro

No comércio, na indústria e nos serviços, empresas e entidades setoriais estimulam a criatividade para aumentar competitividade brasileira

 

Domingo, 08 de junho de 2025


A inovação é hoje um dos principais motores do desenvolvimento econômico e social em todo o mundo. No contexto brasileiro, ela ganha relevância ainda maior diante dos desafios estruturais que o país enfrenta. Investir em inovação não é apenas uma estratégia para melhorar produtos ou processos: é uma condição essencial para garantir competitividade, crescimento sustentável e melhor qualidade de vida para a população. Em um cenário global cada vez mais dinâmico e digital, o Brasil precisa avançar significativamente nessa agenda para não ficar para trás

Além disso, é preciso lembrar que a inovação impulsiona novos negócios, fortalece cadeias produtivas e estimula a geração de empregos qualificados. No caso brasileiro, ela é vital para reindustrializar o país com base em tecnologias emergentes, estimular a economia verde e ampliar a digitalização de serviços públicos e privados. Ademais, a introdução de novidades ou mudanças que agreguem valor ou resolvam problemas de forma mais eficiente também são muito importantes para dar novas respostas a desafios como as mudanças climáticas, saúde pública e disrupções tecnológicas.

BRASIL NO MUNDO

O Índice Global de Inovação (IGI), da Organização Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI), classifica 132 países conforme o potencial e desafios que cada um deles tem para inovar. Em 2025, o Brasil ficou em 50º lugar neste ranking global e em 1º na América Latina e Caribe, seguido pelo Chile (51º) e pelo México (56ª). Ainda que tenha Centros de Excelência em pesquisa e algumas empresas de ponta com a inovação como um importante eixo estratégico, é vital pensar no futuro, com uma maior articulação entre universidades, governos e setor produtivo.

INDÚSTRIA, COMÉRCIO E SERVIÇOS

Na indústria, a inovação é fundamental para o aumento da produtividade, modernização de plantas industriais e integração com cadeias globais de valor. Iniciativas como a Indústria 4.0 já transformam setores como automotivo, químico e farmacêutico. No entanto, a adoção dessas tecnologias no Brasil ainda é limitada a grandes empresas, com pequena penetração entre as micro e pequenas indústrias.

Vale destacar negócios como a Embraer, que virou um case global na indústria aeroespacial, sempre buscando por projetos inovadores, como o desenvolvimento de aeronaves movidas com energias alternativas.

No comércio, a digitalização e o uso de inteligência artificial, big data e e-commerce têm sido essenciais para reinventar modelos de negócio, personalizar a experiência do consumidor e melhorar a eficiência operacional. O varejo brasileiro tem demonstrado boa capacidade de adaptação, especialmente após a pandemia da Covid-19, que acelerou a transformação digital. Caso do Mercado Livre, entre outros, que aproveitaram a mudança comportamental dos brasileiros de fazer mais compras online.

Já no setor de serviços, a inovação se manifesta principalmente na criação de novas plataformas, automação de processos e digitalização de atendimentos. Startups nas áreas de fintechs, healthtechs e edtechs, entre outras, têm se destacado, demonstrando a vitalidade do ecossistema empreendedor brasileiro, especialmente em centros urbanos como São Paulo e Florianópolis.

Alguns setores tradicionais também vêm inovando fortemente para garantir mais qualidade de serviço, ampliação de acesso e benefícios ligados à sustentabilidade, como o Grupo Equatorial, que atende 31% do território nacional e 13% dos consumidores brasileiros.

Algumas entidades como o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) e a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma) também vêm dinamizando o mercado por acreditarem e investirem no poder da transformação engajando seus associados e profissionais do setor e apoiando novas pesquisas e a incorporação de mais tecnologias nas áreas correspondentes.
DESTAQUES

Na avaliação de Frankl Meylan, sócio-líder de Tecnologia e Inovação da KPMG no Brasil, algumas áreas apresentam grande destaque quando o assunto é inovação. “O setor de bancos é um deles. O Brasil sempre esteve na liderança em meios de pagamentos, sendo considerado há muitos anos como exemplo ao mundo. Desde o antigo TED (Transferência Eletrônica Disponível) para as transferências entre pessoas e empresas até o mais atual PIX, com os pagamentos e transferências instantâneas. Os nossos sistemas de Internet Banking e Mobile Banking estão entre os melhores do mundo”, cita.

Ele também destaca o setor agrícola, que é uma referência global em inovação. “Nossas produções são cada vez mais automatizadas e tecnológicas. Como exemplo, temos a produção de soja com sementes geneticamente aprimoradas, o cultivo de cana-de-açúcar de terceira geração com grande incentivo para os biocombustíveis à produção de proteínas com rastreabilidade e garantia de não utilização de áreas de desflorestamento”, diz. Nessa linha, o setor vem utilizando tecnologias como Internet das Coisas (IoT), drones e agricultura de precisão, otimizando recursos e reduzindo impactos ambientais.

Para Cristiane Moura, líder de Sustentabilidade e Inovação da consultoria Bip Brasil, “as multinacionais ajudaram a disseminar boas práticas como hubs de inovação, programas de intraempreendedorismo e conexões com o ecossistema de startups. No entanto, ainda temos muito a avançar, especialmente quando comparado a empresas de tecnologia dos EUA.

POLOS DE INOVAÇÃO

Algumas cidades despontam como polos de inovação no país, quase sempre ligadas a centros de pesquisa: Campinas (SP) e região, muito influenciada pela Unicamp, São Leopoldo (RS), por conta da Unisinos e o laboratório da SAP, e o Porto Digital, no Recife (PE), com mais de 400 empresas e instituições. “Esses são bons exemplos de que quando as diretrizes de inovação são executadas: centros universitários de alto nível, incentivo fiscal e apoio governamental, apoio e participação de empresas, os resultados são muito positivos e transformam a região onde atuam”, destaca Meylan.

Como avançar mais

O que pode fazer o Brasil dar um salto na inovação? Algumas ações coordenadas entre governo, setor privado e universidades podem ser a resposta.

  • Ampliar os investimentos em Ciência e Tecnologia;
  • Criar políticas públicas de longo prazo para inovação;
  • Estimular parcerias entre universidades e empresas;
  • Apoiar startups e PMEs inovadoras;
  • Fomentar a educação técnica e superior nas áreas estratégicas;
  • Desburocratizar o ambiente de negócios e fortalecer a segurança jurídica.
Saúde e tecnologia: uma receita de sucesso

Inovação amplia possibilidades na biomedicina e na indústria farmacêutica com a incorporação de novas tecnologias, pesquisa clínica e atualização dos profissionais do setor

O avanço da tecnologia vem transformando profundamente a maneira como a saúde é pensada, praticada e acessada no Brasil. De exames mais rápidos com auxílio da inteligência artificial (IA) a terapias personalizadas e sistemas de monitoramento remoto, a inovação já não é mais promessa: é parte do presente da medicina. Para os profissionais da área biomédica, isso significa não apenas adaptação, mas também protagonismo no uso de recursos que prometem mais longevidade e qualidade de vida para a população.

Segundo o Conselho Federal de Biomedicina (CFBM) , que regulamenta e fiscaliza o exercício da profissão no país, mais de 110 mil biomédicos estão aptos a atuar em cerca de 40 habilitações reconhecidas, da análise clínica à genética. A entidade aponta que a tecnologia tem sido incorporada de forma crescente em diversas frentes, como nos laboratórios de imagem e nas análises moleculares, impulsionando diagnósticos mais rápidos e precisos. “A tecnologia vem para somar à expertise dos biomédicos. Muitos profissionais estão em constante capacitação para lidar com sistemas automatizados, algoritmos preditivos e ferramentas de apoio à decisão clínica”, afirma o diretor de inovação do CFBM, Dr. Marco Antonio Zonta, biomédico com vasta experiência em diagnóstico de alta complexidade, pesquisa e desenvolvimento.

Pesquisas recentes destacam como essa conexão tem beneficiado a longevidade e a qualidade de vida. “Mas não basta inovar, é preciso garantir acesso. A inovação só tem valor real quando chega às pessoas que mais precisam”, afirma Renato Porto, presidente da Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa (Interfarma). Ele defende que a incorporação de tecnologias no SUS deve ser acompanhada de políticas públicas que priorizem o paciente.

EVOLUÇÃO NA BIOMEDICINA

Dr. Zonta ressalta a importância da atualização constante: “os profissionais da biomedicina estão preparados e acompanhando ativamente as mudanças, e o CFBM tem um papel fundamental em oferecer as capacitações necessárias para que eles possam adotar a inovação em seu trabalho.”

Ainda de acordo com ele, a Resolução nº 392 do CFBM, de 10 de março de 2025, que dispõe sobre as atribuições e prerrogativas do profissional biomédico habilitado em Pesquisa Clínica, Desenvolvimento de Produtos de Saúde e Inovação Tecnológica em Saúde, é um marco importante desse movimento de modernização da profissão. “Essa resolução reflete a relevância da nossa atuação na vanguarda da pesquisa e desenvolvimento em saúde. Garantimos que o biomédico esteja apto a liderar e a integrar equipes multidisciplinares na busca por soluções inovadoras, desde a bancada do laboratório até a aplicação clínica”, explica.

PREVENÇÃO E DIAGNÓSTICO PRECOCE: A GENOTIPAGEM EM DESTAQUE

Avanços significativos na prevenção e no diagnóstico precoce de doenças têm sido alcançados através da combinação de políticas públicas, uso da tecnologia e capacitação profissional. A genotipagem, em particular, emerge como uma ferramenta poderosa no rastreamento e prevenção de diversas condições, especialmente o câncer. “A genotipagem de HPV de alto risco oncogênico (HR_HPV), por exemplo, é o método mais sensível para identificação de infecção com potencial maligno, antecipando o aparecimento em até 10 anos a ocorrência de lesões precursoras do câncer de colo uterino”, diz. Ele ressalta a prevalência do câncer de colo uterino, que ocupa o 3º lugar entre as neoplasias que acometem mulheres no Brasil e no mundo, e sua relação direta com a infecção por HPV.

Segundo dr. Zonta, a genotipagem se diferencia de outros métodos de diagnóstico, como o exame de Papanicolau, por sua capacidade de identificar o vírus mesmo na fase latente, antes do desenvolvimento de lesões. “A metodologia permite a identificação viral não apenas na fase da doença e lesão ativa, bem como na sua forma latente, antecipando em até 10 anos o possível desenvolvimento e evolução para o câncer cervical e diminuindo o número de atendimentos e as filas no SUS, reduzindo em mais de 40% os gastos em saúde pública”, afirma. Essa é apenas uma amostra de como a inovação pode gerar novas possibilidades de cuidado com a saúde, em diversas esferas.

INTERFARMA: DESAFIOS E PROPOSTAS PARA UM ACESSO MAIS ÁGIL E IGUALITÁRIO

Numa outra ponta, há 35 anos, a Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisatem atuado em defesa de um sistema de saúde mais ágil, inovador e centrado no paciente. Recentemente, a entidade participou de um evento sobre o papel da propriedade intelectual e o desenvolvimento nacional, destacando que “o setor farmacêutico vem construindo todos os dias uma nova realidade. Somos testemunhas de medicamentos que trazem bem-estar e mudam a vida das pessoas. Medicamentos que chegam muito próximos ou estão chegando à cura. Isso faz parte da nossa capacidade de inovar, de dar valor ao ciclo da inovação. Precisamos garantir, de fato, que esse ciclo seja valorizado. A proteção à propriedade intelectual é a base desse processo”, disse o presidente, Renato Porto.

Mas, segundo a entidade, quando se fala em inovação, o Brasil ainda precisa equalizar alguns pontos, como entraves burocráticos e os longos prazos para análise e incorporação de medicamentos tanto no sistema público quanto no privado, que retardam o acesso da população a tratamentos inovadores e impactam negativamente a saúde de milhares de brasileiros.

Em artigo publicado no portal Futuro da Saúde, Porto critica o peso excessivo dado ao custo-efetividade nos processos decisórios conduzidos pelas agências reguladoras, como a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec).

Segundo ele, esse critério não deve ser o único – nem o principal – a nortear a inclusão de novas terapias nos protocolos clínicos nacionais. A legislação vigente estabelece que a avaliação de medicamentos e tecnologias em saúde deve considerar oito critérios: segurança, eficácia, efetividade, eficiência e os impactos financeiro, ético, social e ambiental.

“Se o critério financeiro prevalecer isoladamente, o resultado é a criação de barreiras ao acesso, o agravamento das desigualdades e até o aumento da judicialização por parte de pacientes que buscam alternativas para garantir seus direitos”, afirma Porto.

O presidente da entidade também chama a atenção para o risco de se negligenciar tecnologias capazes de transformar o curso das doenças – ou mesmo alcançar a cura – por causa de impasses orçamentários. Para ele, deixar de incorporar essas inovações representa uma falha grave no atendimento à população.

Nesse contexto, a associação propõe a modernização dos processos regulatórios, com a revisão do arcabouço jurídico e a adoção de modelos mais dinâmicos e transparentes, que favoreçam a pesquisa clínica e a inovação tecnológica no país. O objetivo é atrair investimentos, acelerar o desenvolvimento de novas terapias e ampliar o acesso dos brasileiros a medicamentos mais eficazes e personalizados.

Além disso, a Interfarma reforça a importância da colaboração entre governo, setor produtivo e sociedade civil para garantir que os avanços da medicina sejam compartilhados de forma equitativa e eficiente. “A saúde de qualidade precisa estar ao alcance de todos. Inovação só faz sentido quando gera impacto real na vida das pessoas”, conclui Porto.



TECNOLOGIA

Por um país mais digital, conectado e inovador

Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) ganham cada vez mais relevância como habilitadoras da transformação digital

Manter um ambiente propício para o desenvolvimento da criatividade e da geração de ideias não é suficiente para o país aproveitar toda a sua potência inovadora. Para criar um terreno realmente fértil inovador, é imprescindível garantir investimentos em Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) a fim de automatizar processos, reduzir custos operacionais, melhorar a comunicação por meio de ferramentas digitais que encurtem distâncias e facilitem a troca de informações. Além disso, é preciso também fomentar a inclusão digital, democratizando o acesso à internet e dispositivos móveis, e empresas que desenvolvam e ofereçam tais soluções e tecnologias.

De acordo com a Associação das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação e de Tecnologias Digitais (Brasscom), o Brasil possui o maior mercado de TIC da América Latina, com empresas que desenvolvem soluções em nuvem, cibersegurança, dados e inteligência artificial (IA). Essa última, em particular, tem se destacado como um meio para a modernização, melhoria da eficiência e criação de novos modelos de negócios de setores produtivos e do setor público. Em números, conforme o relatório setorial de 2023, o Macrossetor TIC representou 6,5% do PIB, correspondendo a R$ 710,9 bilhões de produção setorial. Nos últimos três anos, cresceu 12,1% ao ano.

Esse ecossistema, que inclui desde empresas privadas até estatais e operadoras de telecomunicações, é essencial para a transformação digital do país, abrangendo também companhias de outros segmentos que internalizam a tecnologia por meio de equipes próprias de TI, refletindo a crescente transversalidade da digitalização.

Acima de tudo, o setor é um habilitador da transformação digital – condição fundamental para impulsionar a produtividade, melhorar a eficiência operacional e promover a inovação nos mais variados setores – na indústria, agronegócio, serviços, saúde, educação e finanças. Vale lembrar ainda que a pandemia de Covid-19 forçou empresas, escolas, governos e cidadãos a migrarem rapidamente para o ambiente online. E, nesse contexto, as TICs tiveram um papel relevante para a adoção de tecnologias no mercado que otimizam processos de comunicação e permitem uma maior integração entre pessoas e empresas.

No relatório setorial 2023 divulgado pela Brasscom , o Brasil, no cenário internacional, segue como o 10º maior produtor global de TIC e Telecom, com uma receita combinada de US$ 55,2 bilhões quando incluídos os serviços de Business Process Outsourcing (BPO) e consultoria.

“O Brasil possui todas as condições para se tornar um dos principais players globais no setor de TIC, mas isso exige investimentos em educação para desenvolver novos profissionais de qualidade no mercado, infraestrutura digital avançada e políticas públicas eficientes que priorizem e impulsionem a inovação. Com esses pilares, poderemos valorizar o talento de nossa população e competir internacionalmente. Temos o potencial necessário para não apenas consumir, mas também exportar soluções tecnológicas de ponta”, enfatiza Affonso Nina, presidente da entidade.

São Paulo: Cidade Inteligente

O conceito de cidades inteligentes envolve o uso estratégico das Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC) para otimizar serviços urbanos, melhorar a qualidade de vida e promover a sustentabilidade. Ao integrar soluções digitais à gestão pública, essas cidades tornam áreas como mobilidade, energia, segurança e resíduos mais eficientes e responsivas, com impactos positivos para os cidadãos e o meio ambiente.

Em 2024, São Paulo se destacou como a primeira capital brasileira a receber certificações internacionais da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) nas normas ISO, conquistando níveis Platina em Cidades Sustentáveis e Resilientes, e Ouro em Cidades Inteligentes, consolidando-se como referência nacional em inovação urbana.

"É uma garantia de que São Paulo segue evoluindo como uma cidade cada vez mais tecnológica", destacou Francisco Forbes, presidente da Empresa de Tecnologia da Informação e Comunicação do Município de São Paulo (Prodam) , durante a entrega do certificado.

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NEGÓCIOS

Inovação melhora o posicionamento competitivo

Empresas investem em programas de capacitação, metodologias e outras frentes para fomentar a atitude inovadora

Inovar, hoje, no mundo corporativo, não é um diferencial, mas um imperativo. Empresas que estimulam a cultura da criatividade interna colhem bons frutos. Gigantes da tecnologia, como Google e Amazon, por exemplo, há anos adotam modelos que incentivam seus funcionários a desenvolverem projetos próprios e proporem ideias inovadoras. Startups e pequenas empresas também apostam em equipes multifuncionais (squads) focadas na entrega de resultados e metodologias ágeis para resolver problemas complexos e responder rapidamente às mudanças do mercado.

Além disso, muitos outros ingredientes potencializam a inovação no mercado corporativo, como as parcerias com universidades e instituições de pesquisa nacionais e internacionais e os programas de Hackaton (eventos que reúnem pessoas para desenvolver soluções para problemas específicos em um curto período de tempo).

Cada vez mais, o Brasil também aperfeiçoa seu ecossistema de inovação. A Innoway by Semente, divisão da Semente Negócios, traduz bem esse movimento oferecendo um sistema de diagnóstico que auxilia empresas na elaboração de planos para ampliar sua capacidade inovadora. Para isso, desenvolve soluções e treinamentos voltados ao tema. A consultoria tem promovido iniciativas em mais de 136 projetos, incluindo parcerias com companhias como a fabricante de cosméticos e perfumaria Natura e a produtora de biodiesel Be8.

Para Cristiane Moura, líder de Sustentabilidade e Inovação da consultoria Bip Brasil, a criatividade e a inovação são primordiais em empresas que buscam se manter relevantes no mercado, pois permitem que as organizações reinventem seus modelos de negócios, respondam a novas demandas do mercado e, assim, aumentem sua competitividade. “Quando bem aplicadas, não só geram novos produtos e serviços, como também mudam a lógica de funcionamento de setores inteiros, como no caso das fintechs no sistema bancário brasileiro”, ressalta. No entanto, a executiva lembra que o investimento privado, embora crescente, ainda é concentrado em grandes companhias e setores específicos, como o farmacêutico, de energia e o agronegócio.

INVESTIMENTO ESTRATÉGICO

O Grupo Equatorial, 3º maior grupo de distribuição do país em número de clientes e primeira empresa multi-utilities do Brasil, compreende a inovação como estratégia essencial para a eficiência operacional e financeira, a satisfação de seus clientes e da sua capacidade de resiliência diante às transformações econômicas, sociais e ambientais. “Ao todo, mais de 50 projetos de inovação estão sendo desenvolvidos ou implementados pelo Grupo, com foco em quatro pilares: clientes, eficiência operacional e segurança, garantia de receitas e transição energética”, diz Maurício Velloso, diretor de Clientes, Inovação e Serviços do Grupo Equatorial.

Doutores, mestres, engenheiros, desenvolvedores, designers e especialistas estão entre os profissionais que se dedicam à transformação da empresa por meio do uso de novas tecnologias e ferramentas. Somando os investimentos diretos em inovação, foram aplicados mais de R$ 500 milhões por ano, montante que vem crescendo a cada ciclo. Como resultados, o Grupo já computa R$ 200 milhões em benefícios financeiros diretos, entre receita líquida e redução de custos do último ano, obtidos por meio de inovações. Entre eles, estão projetos com inteligência artificial e imagens de satélite para identificar furtos de energia até o maior projeto de modernização de sistemas dos Centros de Operações.

Um dos destaques foi a implantação do Advanced Distribution Management System (ADMS), ou Sistema de Gerenciamento Avançado na Distribuição, uma plataforma integrada que agrega softwares capazes de fazer o controle da rede, possibilitando manobras mais rápidas, eficientes e seguras em linhas, subestações e equipamentos instalados. A previsão é que, até 2027, todas as sete distribuidoras do Grupo adotem a tecnologia.

Um outro projeto, inédito no Brasil e implementado pelo Grupo Equatorial, o GPS (Gerenciamento de Perdas via Satélite) conta com uma metodologia semiautomatizada para a detecção de Perdas Não Técnicas (PNT) de energia elétrica por meio do processamento de imagens de satélite e modelos baseados em aprendizado de máquina. Foi implementado primeiro, no Maranhão, onde a empresa identificou mais de 14 mil possíveis ligações clandestinas no Estado. Destas, 4 mil foram confirmadas pelas equipes em campo e mais de 2 mil foram regularizadas, o que representou R$ 2,6 milhões em receita recuperada.

Outra iniciativa importante foi a criação de um instituto próprio de Ciência e Tecnologia, e o lançamento do seu primeiro hub de inovação no Maranhão, o EQT Lab, no qual a companhia desenvolve soluções disruptivas e sustentáveis. O espaço, inaugurado em 2023, faz parte do programa de Pesquisa e Desenvolvimento e Inovação (PDI) em parceria com a Aneel. No ano passado, o laboratório conduziu mais de 10 projetos, além de promover iniciativas como o Capacitech e os workshops Energia do Amanhã, voltados à formação de jovens para o mercado tecnológico.

“O Grupo tem avançado de forma consistente na digitalização da experiência do cliente, substituindo processos complexos por jornadas automatizadas e inteligentes. Com o Equatorial One, estamos consolidando uma nova arquitetura tecnológica, baseada em dados, integração de plataformas e uso crescente de inteligência artificial para simplificar, prever e resolver as demandas do cliente em tempo real. A inovação está no centro dessa transformação, com soluções que reduzem burocracias e ampliam a autonomia e a comodidade para milhões de pessoas atendidas em nossas áreas de concessão”, explica Velloso.

Como romper barreiras e destravar o caminho

A cultura de inovação ainda enfrenta obstáculos em empresas mais tradicionais. Por isso, a diretora de Sustentabilidade e Inovação da Bip Brasil recomenda que elas foquem em inovações incrementais, já que as disruptivas exigem maior apetite ao risco e investimento. “Destaco os princípios do Lean Startup (para testar soluções rapidamente), o Business Model Canvas (para desenho de modelos de negócio) e as técnicas de Foresight Estratégico (para transformar sinais em tendências tecnológicas). Essas técnicas, somadas a um bom business case financeiro e metas claras, podem levar as empresas a serem verdadeiramente inovadoras, gerando valor real para a companhia”, diz Cristiane.

Denise Pinheiro, sócia e líder em Transformação Digital na consultoria PwC Brasil, salienta que “é fundamental alinhar cada investimento tecnológico com os objetivos da empresa, tratando as tecnologias como ferramentas para viabilizar transformações, e não como um objetivo em si.”

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*Conteúdo produzido pela Point e publicado no jornal Folha de S.Paulo em 08/06/2025



Projeto e comercialização: Point Comunicação e Marketing

Redação: Karina Landi, Lucas Medeiros

Edição: Gustavo Dhein

Layout e editoração eletrônica: Manolo Pacheco / Sergio Honorio


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